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Vivenciando o CCE - Carta de Marcio Carvalho Jorge à ABHIR

Publicado em 12/04/2012 - Marcio Carvalho Jorge


Marco Lagazzi - Photo Sport
artigo
Marcio Carvalho Jorge


Waresley, 4 de abril de 2012.

Vou fazer alguns comentários apenas para ajudar todos da Abhir pensando em suas organizações de eventos e dos participantes.

Nesta sexta feira, estou indo a Burmhan Market saltar um 2* com dois cavalos mais o cavalo do Jesper.Vamos fazer a prova em um único dia: adestramento, salto e cross. Esta prova está a 3h de caminhão de onde eu e o Jesper estamos com os cavalos. O Saulo vai saltar o CIC 2* e vai fazer o adestramento na quinta-feira. Ele vai andar de caminhão 3h para ir e 3h para voltar. No sábado o Saulo volta a andar 3h de caminhão para fazer o salto e o cross e demorará mais 3h de caminhão para casa.O Renan vai na quinta-feira também 3h de caminhão fazer o adestramento do CIC 3* e volta 3h. Na sexta ele vai 3h com os Cavalos Novos fazer adestramento, cross e salto e volta 3h. No sábado ele vai 3h fazer o cross e o salto do CIC 3* e depois volta 3h para casa.

No Panamericano do México, por exemplo, o cross também foi a uma hora do lugar onde foi o adestramento e salto, na Olimpíada de Pequim o cross foi mais ou menos a 1h do lugar do adestramento e salto e no mundial da França que será em 2014 o cross será a 90km do lugar do adestramento e salto. Uma vez fizemos CCI em Porto Alegre assim, naquela ocasião foi o salto e adestramento em Porto Alegre e cross em Osório há mais de 100km um lugar do outro.
O Jesper está um pouco assustado com os esquemas das viagens porque ele não conhecia, mas ele está vendo o tanto que é normal. Cavalos de milhões de dólares e cavalos de estimação de famílias vivem neste esquema e com um trato muito especial e todos bem cuidados.

Aqui na Europa o pessoal do CCE vive o CCE, eles gostam do esporte. Acordam de madrugada, tratam seus cavalos, aprontam-nos, carregam-nos no caminhão, na maioria são os cavaleiros ou os pais que dirigem o caminhão para as provas, levam comida, bebida, fazem piquenique e etc. E fazem tudo isso com prazer, porque são apaixonados pelo esporte e isto é um grande e prazeroso programa. E principalmente porque gostam dos seus cavalos, de tratá-los e de estar com eles.

E o principal é que 90% dessas pessoas são crianças e jovens com seus pais ou amadores que amam cavalo e CCE. Os pais estimulam os filhos a fazer o esporte, gostar dele, viver ele e o cavalo, depois de tudo isso o resultado de provas campeonatos vem naturalmente com o tempo, pois a pessoa que gosta do cavalo e do esporte ela treina por prazer, quer ir competir nos finais de semana, não ficam por aí sujeitos a influências "obscuras" do mundo, assim eles crescem como gente e como cavaleiro, e naturalmente os resultados vêem.
Outro ponto, é que quando uma família pega seu trailerzinho, seu cavalo, seu filho a vai
para uma prova onde eles mesmos cuidam de seu cavalo e fazem sua viajem a prova fica barata, simples com pouco gasto assim estão todos os finais de semana em provas. E a maioria destas pessoas aqui não são ricas não, são pessoas simples que gostam de
CCE e cavalo.

Aqui e em todo lugar do mundo é muito normal os cavalos viajarem, tendo boas condições em um bom caminhão e com bom motorista esta distância de 340 km se quisessem podia até ir e voltar. Agora com motorista e caminhão sem condições é sacanagem muito maior com os cavalos até mesmo em pequenas viagens. Se o ponto é tratar bem nossos animais o caminhão no qual eles viajam é bem mais importante que a distância. Aqui também é proibido viajar com os cavalos em caminhão que não for próprio e inspecionado.

Estou dizendo tudo isso a título de troca de experiência não de críticas. Estou tentando
mostrar e passar alguns conhecimentos que temos por fazer estas viagens.

Para ensinar bem nossos jovens precisamos colocá-los no máximo de provas possíveis,
pois vamos fazer a criança a ter um bom olho para o salto no ritmo da prova e ganhar
experiência de cross que é muito importante e quando isto ocorre na infância o cavaleiro
é outro. A experiência adquirida só mais tarde não tem o mesmo valor.

Veja o exemplo do Henrique Pinheiro foi um ótimo cavaleiro na infância e juventude e
depois ficou anos sem montar e sem evoluir com o esporte. Ficou anos pra trás e depois
voltou e em pouco tempo estava de novo no topo do esporte em provas de alto nível e
com montada de cavaleiro top. Isto é pelo que ele teve desde pequeno.

Pergunte a qualquer um que está aqui como funciona o esporte em todo o mundo. Marcelo Tosi, Ruy Fonseca, Carlos Paro, Renan Guerreiro e agora Marcio Jorge, Jesper Martendal e Saulo são os brasileiros saltando na Europa. Pergunte a qualquer um principalmente aos primeiros que moram aqui como é o mundo “lá fora” para que todos possam aprender com suas experiências.

Acho que deveríamos estimular a todos os cavaleiros a virem a Europa, pelo menos em um passeio, ver o esporte do dia a dia, e não só na olimpíada.

Espero ter ajudado, passando alguma experiência particular minha e alguma opinião.

Grande Abraço
MCJ

Médico e Cavaleiro ABHIR



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© 2017 ABHIR - Associação Brasileira dos Cavaleiros de Hipismo Rural - 19 3523.6700 - abhir@abhir.com.br - Desenvolvido por ArtStudio
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